EPA: um nutriente rico em benefícios para a saúde humana

EPA

Efeito anti-inflamatório

O EPA é um ácido graxo que, ao ser modificado por processos enzimáticos no organismo humano, origina compostos que possuem potencial menos inflamatório, garantindo assim, o equilíbrio da inflamação gerada por outros ácidos graxos com potencial pró-inflamatório. Esse equilíbrio confere o benefício conhecido como “anti-inflamatório”. Além disso, o componente também apresenta benefícios no sistema cardiovascular, na articulação e no tratamento de desordens neurológicas.

1. Anti-inflamatório, coadjuvante no tratamento da obesidade

Em se tratando de processos inflamatórios, podemos usar como exemplo a obesidade, uma doença caracterizada por uma resposta inflamatória de baixa intensidade, que é gerada pelo aumento da produção de citocinas inflamatórias (Ex: PCR – proteína C reativa; TNF-A – fator de necrose tumoral-alfa; IL-6 – interlucina 6; MCP-1 proteína quimiotática para macrófagos-1; leptina e interlucina 8).

A suplementação por 3 meses com 1,8g/dia de EPA administrada a pacientes obesos reduziu os níveis de TNF-A e aumentou a secreção de citocina anti-inflamatória. Em outra abordagem avaliando a expressão gênica, a suplementação por 35 dias com EPA foi capaz de reduzir a transcrição para IL-6 e para síntese de ácidos graxos, evidenciando, em conjunto com outros estudos, a relevância desse nutriente no tratamento do quadro inflamatório da obesidade.

2. Auxílio no Sistema Cardiovascular

As doenças cardiovasculares representam uma das principais causas de mortalidade na maioria dos países e um dos fatores determinantes para a saúde desse sistema é a qualidade da gordura da dieta, sendo os lipídeos insaturados considerados benéficos tanto na prevenção quanto no tratamento.

Evidências constantes indicam o óleo de peixe como fator dietético responsável pela redução da mortalidade, infarto do miocárdio, morte cardíaca súbita e doença arterial coronária, devido ao potencial anti-inflamatório, antiarrítmico e antiaterogênico.

A administração de EPA durante 5 anos em japoneses hipercolesterolêmicos em uso de estatinas foi capaz de reduzir, de forma significativa, a reincidência de derrames em  comparação a indivíduos utilizando apenas o medicamento. Além disso, encontraram melhora da função endotelial em homens com hipertrigliceridemia após suplementação de 1,8g/dia durante três meses.

3. Tratamento de Desordens Neurológicas

A aplicação de ômega-3 parece trazer benefícios ao interferir em diversos aspectos da função neuronal. Evidências indicam que níveis baixos de ômega-3 apresentam papel crucial na fisiopatologia dessas doenças. Uma revisão demonstrou que, em desordens de humor, a suplementação com EPA é mais eficiente em comparação ao DHA.

Uma investigação do metabolismo cerebral in vivo em episódios de psicose após 12 semanas de suplementação com EPA indicou melhora dos sintomas negativos da psicose. O ômega-3 pode beneficiar indivíduos com depressão uni e bipolar, mas são necessários outros estudos sobre os efeitos dessa suplementação.

Segundo CASPER (2004)¹, o ômega-3, particularmente o EPA, pode amenizar sintomas da maioria das desordens depressivas, enquanto NEMETS (2002)² observou benefícios significantes com apenas três meses de suplementação em pacientes com depressão e em tratamento medicamentoso.

Além de ser uma alternativa para o tratamento de esquizofrenia, esse nutriente pode beneficiar o tratamento de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.

¹Casper RC. Nutrients, neurodevelopment, and mood. Curr Psychiatry

Rep 2004; 6(6): 425-9.

²Nemets B, Stahl Z, Belmaker RH. Addition of omega-3 fatty acid to

maintenance medication treatment for recurrent unipolar depressive

disorder. Am J Psychiatry 2002; 159(3): 477-9.

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